Ilustração: estrada de terra atravessando campo rupestre aberto no alto de um chapadão, com canela-de-ema e rocha exposta até o horizonte, sob céu limpo de inverno.
Travessia motorizada · Chapadão da Canastra (MG)

Uma estrada só, e ela atravessa tudo

Dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra existe uma única estrada de ponta a ponta: da Portaria 3 à Portaria 1, de carro sobre a terra do chapadão — e, no meio, um longo trecho de campo aberto sem lugar para desistir.

🚙 74,92 km de terra ⏱️ 3h38 de estrada 🏞️ 97,6% dentro do parque ⛰️ Puxada de bike · de carro, não se aplica

✓ 74,9 km medidos no registro da passagem de 6 de julho de 2024

As ilustrações desta página são geradas por IA e são meramente ilustrativas.

Agora

Cerrado

Nos municípios da rota, a cobertura nativa vai de 36% a 55%.

  1. Sacramento36%
  2. São Roque de Minas55%
  • floresta
  • outra cobertura nativa
  • uso humano

MapBiomas 2025 · município inteiro

Em um minuto

Decisão rápida

🚙 De carro — é travessia motorizada 🧭 Linear — as duas pontas ficam a 53 km uma da outra, em linha reta 🏞️ 97,6% dentro do parque, no traçado registrado 🛞 Confira o piso antes de sair, se tiver chovido 🚫 37 km sem saída entre os km 28 e 65 do traçado de 2024 — sem por onde desistir 📶 Sinal em boa parte do caminho, mas sem comércio dentro do parque ↩️ Resolva a volta — sai por uma cidade diferente
Extensão
74,92 km
Tempo
3h38 de estrada
Dificuldade
Puxada de bike · de carro, não se aplica

Traçado próprio

Desnível
Sobe 943 m Desce 966 m
Altitude
de 1.191 m a 1.499 m
Formato
Linear, da Portaria 3 à Portaria 1
Municípios/UF
2 municípios em MG
Portarias
3 → 2 (km 28,1) → 1

Horas no dia

  • De bike: Puxada, cerca de 5 h 45 de pedal no dia.
  • Faixas: Leve até 3 h, Média 3 a 5 h, Puxada 5 a 7 h, Extrema mais de 7 h.

De bike: 74,92 km em 1 dia, a 13 km/h.

Fontes e método

Medidos no traçado registrado em 6 de julho de 2024 · dificuldade: régua do Dicas Outdoor

Os alertas vêm da passagem relatada em O caminho.

Clima. Leitura do momento em cada ponto, da Open-Meteo, feita quando a página abre; não é previsão.

Vegetação. MapBiomas Coleção 11, ano-base 2025. As porcentagens do título somam floresta e outra cobertura nativa de cada município. É dado do município inteiro, não do corredor: serve de contexto. As barras seguem a ordem do caminho.

Limites da observação. Uma passagem só, em julho: o trecho entre as portarias 2 e 1 na estação chuvosa não foi observado. As condições podem ter mudado.

Todas as fontes da página e o método

Uma estrada, três portarias, nenhum atalho

A travessia é a espinha do chapadão

O parque foi criado em 1972 com quase 200 mil hectares no papel, mas só pouco mais de um terço foi desapropriado: a mancha contínua do Chapadão da Canastra, por onde corre esta estrada. Por isso quase toda ela fica dentro do limite oficial; do outro lado da serra, no Chapadão da Babilônia, a desapropriação parou no meio.

Hoje a estrada entra pela Portaria 3, por Sacramento, cruza São João Batista da Canastra na Portaria 2 e termina na Portaria 1, em São Roque de Minas, numa tarde de carro. É campo rupestre sem sombra do começo ao fim. No último trecho ficam os Currais de Pedra, anteriores ao parque, e, à beira da estrada, a nascente histórica do Rio São Francisco: um filete de água no capim.

Ilustração: uma estrada larga de terra vermelha segue reta até um horizonte plano, entre capim alto e arbustos baixos, sob um céu enorme de nuvens brancas e cinzentas, em traço de nanquim e aquarela; composição feita a partir das fotos da passagem.
Terra vermelha até o horizonte. Neste trecho do chapadão, a estrada corta o campo aberto em linha reta.

Experiências essenciais

  • Parar a cinco metros da nascente histórica do São Francisco e descobrir que é um filete no capim, sem monumento e sem placa grande.
  • Ver os Currais de Pedra seca no meio do chapadão, construídos antes de o parque existir.
  • Passar pela Garagem de Pedra, um abrigo de rocha bem no leito da estrada, no quilômetro 45.

O caminho

A estrada, trecho a trecho

A estrada começa na ponta noroeste do parque, já no alto do chapadão, e segue até a Portaria 2, no distrito de São João Batista da Canastra. É o trecho em que ainda há povoado por perto e, se algo der errado, por onde sair.

Depois da Portaria 2 o caráter muda. Dali até perto do fim é chapadão aberto — a parte mais longa da travessia, e a que não tem apoio nenhum. Não há comércio dentro do parque: o que vai no carro é o que se tem até a outra ponta. Um pneu furado aqui não é um contratempo, é o dia inteiro.

O fim concentra o que a travessia tem de marco. Os Currais de Pedra aparecem primeiro, um pouco afastados da estrada; pouco adiante, colada a ela, a nascente do São Francisco; e a travessia termina na Portaria 1, em São Roque de Minas. A estrada sobe e desce o dia inteiro, mas isso não descreve serra nenhuma: é o chapadão ondulando, e as duas pontas ficam praticamente na mesma altura.

Na passagem de 6 de julho de 2024 · de carro, da Portaria 3 à Portaria 1

O estado da estrada, por trecho. Na passagem, entre as portarias 3 e 2 a estrada estava boa; entre a 2 e a 1, precária, com buraco e erosão. A passagem foi de 4x2, na seca, sem dificuldade, das 13h07 às 16h44, hora de Brasília, com média de 20,7 km/h.

Por onde passa, e até onde se sabe

O mapa

Perfil de altitude do traçado da Travessia do Chapadão da Canastra, da Portaria 3 à Portaria 1 De 1.316 m na partida, na Portaria 3, a 1.499 m no ponto mais alto, no km 67,4; a mínima, 1.191 m, fica no km 32,0. Fonte: traçado próprio (silvioemanuel, Wikiloc), registrado de carro em 6 de julho de 2024. Reamostrado a cada 25 m e suavizado em ~150 m, o mesmo método do desnível da ficha. Cada ponto está no km em que o traçado passa por ele; a altitude da tabela é a do arquivo nesse ponto, sem suavizar, como a da ficha. Traçado próprio · Wikiloc 1.500 m 1.000 m 1.499 m

Fonte: traçado próprio (silvioemanuel, Wikiloc), registrado de carro em 6 de julho de 2024.

O perfil em tabela

Reamostrado a cada 25 m e suavizado em ~150 m, o mesmo método do desnível da ficha. Cada ponto está no km em que o traçado passa por ele; a altitude da tabela é a do arquivo nesse ponto, sem suavizar, como a da ficha.

Pontokm do traçadoAltitude do traçado
Portaria 30,01.316 m
Portaria 2 — São João Batista da Canastra28,11.348 m
Ponto mais baixo32,01.191 m
Ponto mais alto67,41.499 m
Portaria 1 — São Roque de Minas74,91.291 m
  • O traçado cobre a travessia inteira, da Portaria 3 à Portaria 1, sem trecho faltando.
  • O Curral de Pedra e a Cachoeira do Lava-pé ficam fora da estrada; a distância no mapa é em linha reta e não promete acesso.
  • A Casca D’Anta e a Rasga Canga não estão neste mapa: são da rota irmã, o Circuito da Parte Alta.
Os municípios, na ordem do caminho
Ambiente e cuidados

Antes de ir

  • O terrenoSem sombra nem comércio no parque: leve no carro tudo até a outra ponta.
  • Cerrado e sol forteSol forte, pouca sombra e água espaçada. Leve mais água do que parece preciso.
  • Serra e desnívelO desnível cansa mais que a distância. Calçado com tração; bastões ajudam nas descidas.
  • Beira de rio e travessiasO pé pode molhar. Saco estanque e atenção à correnteza depois de chuva.
  • Quando irConsulte a previsão: o alto venta e esfria à noite.

Antes de sair, confira as regras de visitação no site do ICMBio.

Para quem quiser conferir

Dados, fontes e evidências

Fontes e método Fonte gestora · legislação e plano de manejo · base cartográfica oficial · registro de campo · base colaborativa e dado ambiental

Como os 74,92 km foram medidos

Os números vieram somados ponto a ponto pelos 7.534 registros do traçado de 6 de julho de 2024 — sem estimativa e sem cópia de ficha.

O desnível de +943 m / −966 m é estimativa, não medição de precisão: o perfil do GPX é reamostrado a cada 25 m e suavizado numa janela de cerca de 150 m antes da soma, para filtrar o jitter vertical do GPS.

Os 97,6% dentro do parque saem de outro cálculo: o cruzamento deste traçado com o polígono oficial do ICMBio. É medição do Dicas Outdoor sobre dado oficial.

Onde os números desta página divergem da fonte oficial

Extensão

O parque descreve a estrada interna como “cerca de 70 km”; o traçado registrado mede 74,92 km. Os dois medem a mesma estrada e não se contradizem — “cerca de” comporta a diferença. A página publica a medida do traçado e deixa a do parque à vista.

Dificuldade

A régua de dificuldade do Dicas Outdoor mede o esforço a pé ou de bike. De bike, ela se aplica: 75 km em um dia, a 13 km/h, dão 5,8 h — Puxada. De carro, não se aplica: são 75 km de terra bem traçada em pouco menos de quatro horas, e a exposição é alta.

O que esta travessia NÃO tem — e por que isso importa

A Serra da Canastra tem duas rotas no Dicas Outdoor, e elas compartilham lugares. A tentação de repetir os marcos da rota irmã é real, e a curadoria de pontos mediu cada um contra este traçado antes de decidir:

A Cachoeira Casca D’Anta está a 6,0 km daqui e a Rasga Canga a 7,8 km. As duas são pontos do Circuito da Parte Alta, não desta travessia, e por isso não aparecem no mapa nem na lista de marcos desta página.

E o mesmo lugar pode ter relação diferente em cada rota. O Curral de Pedra está a 71 m deste traçado — referência próxima, com distância em linha reta — e a 3 m do traçado da Parte Alta, onde é ponto do percurso e recebe quilometragem. Não é contradição: são duas estradas passando a distâncias diferentes do mesmo lugar. A nascente do São Francisco, essa sim, é ponto das duas — mas aqui ela chega no km 70,3, quase no fim, e lá no km 5,7, quase na largada.

Como o mapa foi feito

O desenho é a travessia inteira, da Portaria 3 à Portaria 1 — o arquivo cobre o percurso de ponta a ponta, sem trecho faltando.

Os marcos foram conferidos no OpenStreetMap ao longo do traçado e cada um leva a quilometragem em que o traçado registrado passa por ele. Onde o ponto fica FORA da estrada, a distância é em linha reta e não promete acesso: o Curral de Pedra está a 71 m do traçado, e a Cachoeira do Lava-pé a 204 m.

A travessia inteira corre por São Roque de Minas (MG), com trechos curtos passando para Sacramento (MG) onde a estrada acompanha a divisa — conferido ponto a ponto contra a malha municipal do IBGE, e não contra o nome da portaria: a Portaria 3 é o acesso por Sacramento, mas o portão em si cai em São Roque de Minas.

A Cachoeira Casca D’Anta e a Rasga Canga não estão neste mapa, e é deliberado: medidas a 6,0 km e 7,8 km deste traçado, elas são pontos da rota irmã — o Circuito da Parte Alta —, não desta travessia.

Fonte oficial consultada

Fonte: ICMBio — Informações sobre Visitação, PARNA da Serra da Canastra · consultado em 10 de setembro de 2026.

Alcance: informação do lugar, não desta rota — nenhuma ficha específica dela foi localizada nas fontes consultadas.

Foi consulta documental: a fonte foi lida na data acima, sem confirmação no local.

Fonte gestora

Quem administra a unidade. A consulta está citada, com data, em “Fonte oficial consultada”, acima.

Base cartográfica oficial

O limite do parque usado para medir os 97,6%. É dado oficial; o cruzamento com o traçado registrado é do Dicas Outdoor.

Registro de campo

Uma passagem, em 6 de julho de 2024, de carro, no sentido Portaria 3 → Portaria 1. Não é fonte oficial: é o que foi medido e observado naquele dia.

Base colaborativa e dado ambiental

Bases colaborativas e de sensoriamento remoto usadas no mapa e no contexto territorial. Não descrevem a visitação nem substituem a fonte gestora.

O fio invisível

O chapadão inteiro entra no seu mapa

No painel do Dicas Outdoor, o cartão desta rota tem as quatro marcas — ❤️ favorita, “quero ir”, “já fui” e “de novo”. Ela conta na Sala de Troféus e leva junto São Roque de Minas e Sacramento.

Já fez esta rota? Marque no Dicas Outdoor.

O rio começa onde a estrada quase termina

Setenta quilômetros de chapadão para chegar a um filete de água no capim.

Não saia do leito da estrada e feche o que abrir: o campo rupestre demora a se refazer de uma marca de pneu.

🧭 Ver todos os caminhos