O Parque Estadual Carlos Botelho tem dois núcleos e quase 750 metros de diferença de altitude entre eles. A sede fica no alto, em São Miguel Arcanjo. O Núcleo Sete Barras fica no fundo do Vale do Ribeira, a cinquenta e poucos metros do mar — dali saem as trilhas de rio e cachoeira, e o portal de baixo da estrada de blocos que sobe até o outro lado.
PE Carlos Botelho · Núcleo Sete Barras · SP-139, km 47 · 11,6km medidos · 1 dia · Média
São duas trilhas emendadas num dia só, e cada uma tem ficha própria no catálogo — por isso são quatro marcas: uma dupla para a Cachoeira do Ribeirão Branco, outra para a Figueira. Marque as duas se você fez as duas.
desce pro valeO parque não nasceu de uma vez. Entre 1941 e 1958, o Estado de São Paulo criou quatro reservas florestais separadas na Serra de Paranapiacaba — Carlos Botelho, Capão Bonito, Travessão e Sete Barras. Décadas depois, o Decreto estadual nº 19.499, de 1982, juntou todas num só bloco de 37.644,36 hectares e criou o Parque Estadual Carlos Botelho; hoje a ficha oficial registra 38.705,44 hectares, entre São Miguel Arcanjo, Sete Barras e Capão Bonito. O nome homenageia Carlos José de Arruda Botelho, médico urologista e secretário da Agricultura, Viação e Obras Públicas de São Paulo, que assinou o contrato de vinda dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, em 1908.
O que o parque guarda é mais raro que a área. Ele abriga a população mais expressiva de muriquis-do-sul (Brachyteles arachnoides) — o mono-carvoeiro, maior primata das Américas —, e é possivelmente a única unidade a ter, ao mesmo tempo, muriqui-do-sul e mico-leão-preto. Integra o Contínuo Ecológico do Paranapiacaba, um dos maiores blocos de Mata Atlântica contínua do mundo. A cobertura vegetal nativa de Sete Barras passa de 80%, contra pouco mais de um quarto do lado de Capão Bonito e São Miguel Arcanjo, onde a paisagem já é de lavoura e pasto.
A visitação se organiza em dois núcleos, com diferença geográfica antes de administrativa. A sede, em São Miguel Arcanjo, fica no alto, perto dos 800 metros, com araucária e trilhas curtas. O Núcleo Sete Barras fica do outro lado da serra, no Vale do Ribeira, entre 50 e 100 metros — floresta de baixada, quente e úmida, com rio no caminho. Fica no km 47 da SP-139, bairro Mamparra. De lá saem a Trilha da Figueira, que margeia o Ribeirão da Serra até o memorial da figueira Ficus enormis, tombada em 2016, e a Trilha da Cachoeira do Ribeirão Branco, até uma queda de 4 metros com ponte e pinguela no caminho. E é ali que começa a Estrada-Parque Serra da Macaca, 33km que sobem os quase 750 metros até a sede.
Esta página é do lugar, não de uma trilha só. Abaixo, os quatro percursos que a ficha oficial atribui a este núcleo, mais a Estrada-Parque que começa no portal daqui — inclusive o que ainda não está no nosso catálogo. Distância, tempo e dificuldade são os que o Guia de Áreas Protegidas publica.
O traçado real (GPS) do nosso registro, com a quilometragem medida ponto a ponto, do portal do núcleo até a Cachoeira do Ribeirão Branco e de volta.
Traçado GPS real com as cachoeiras do percurso marcados por nome e quilometragem.
Marcos conferidos no OpenStreetMap ao longo do traçado (raio de 300m). Eles vivem no mapa, não no GPX — o arquivo logo abaixo nesta página é só o traçado.
O percurso inteiro está em Sete Barras (SP), então há um número só — não existe "mais verde" nem "mais urbanizado" a comparar.
São quase 750 metros de diferença entre um núcleo e o outro — não é a mesma manhã, e a ficha oficial avisa que a trilha pode ser cancelada em dia de chuva.
A Figueira e a Cachoeira do Ribeirão Branco têm ficha própria no catálogo e contam separadamente. Marque como "quero ir" ou "já fui" no Dicas Outdoor — Sete Barras entra no seu mapa e conta na Sala de Troféus.
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Não saia do trajeto autorizado, leve o seu lixo de volta e olhe para cima de vez em quando — o mono-carvoeiro é grande, mas fica alto e é silencioso.
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