Agora
Mata Atlântica
Mais de nove em cada dez hectares de Ilhabela (SP) são mata nativa.
- floresta 94%
- outra cobertura nativa 1%
- uso humano 5%
MapBiomas 2025 · município inteiro
Decisão rápida
Traçado de terceiro · Wikiloc, 2019
Horas de trilha no dia mais pesado
- A pé: Puxada, cerca de 8 h 15 de trilha no dia mais pesado.
- Faixas: Leve até 3 h, Média 3 a 6 h, Puxada 6 a 10 h, Extrema mais de 10 h.
Fontes e método
Medidos em traçado de terceiro (RAFAELCARDOOZO, Wikiloc, fevereiro de 2019), a pé até Castelhanos; o arquivo inteiro, com a Estrada-Parque, tem 52,2 km · dificuldade: régua do Dicas Outdoor
Pela norma ABNT NBR ISO 3021: distância, subida e descida, dia a dia.
Os alertas são da passagem relatada em O caminho.
Clima. Leitura do momento em cada ponto, da Open-Meteo, feita quando a página abre; não é previsão.
Vegetação. MapBiomas Coleção 11, ano-base 2025. O título resume os valores da figura, arredondados. É dado do município inteiro, não do corredor: serve de contexto.
Limites da observação. Uma passagem só, em janeiro: a baixa estação e a trilha depois de chuva forte não foram observadas. As condições podem ter mudado.
Por que “Meia Volta” — e por que não é um círculo
Meia Volta é um nome elástico: o caminho usual parte de Borrifos ou da Ponta de Sepituba e segue pela costa oceânica, por Bonete, até Castelhanos. Não se caminha meia circunferência; o nome vem do acesso ao sul, da costa oceânica e do retorno pelo centro. Bonete não tem acesso por estrada e mantém a rotina caiçara de pesca, roças e turismo. A costa também guarda naufrágio: em 1916, o Príncipe de Astúrias afundou na Ponta da Pirabura.
Criado em 1977, o Parque Estadual de Ilhabela protege mais de quatro quintos do município, com Mata Atlântica insular, restinga e mangue. Fazer a travessia hoje é cruzar essa costa sem estrada, e a cobrança é concreta: calor, umidade, barro, raízes, pedras lisas, praias fofas e desnível quase sem descanso.
Experiências essenciais
- Chegar a Bonete a pé e entender, pelas canoas na areia, que aquela vila não recebe carro nenhum — nem hoje nem nunca.
- Encadear praia, costão e mata fechada por dias seguidos, numa costa onde nenhuma estrada acompanha o caminho.
- Parar nas cachoeiras da Laje, do Areado e do Saquinho, que aparecem no primeiro terço da travessia, antes do cansaço chegar.
O caminho
A travessia, trecho a trecho
O primeiro terço é o mais generoso: saindo da Ponta da Sepituba, o caminho encosta nas cachoeiras da Laje, do Areado e do Saquinho antes de alcançar Bonete. A mata é fechada e úmida, o piso alterna raiz, pedra e areia, e o desnível vem em dentes seguidos — sobe o costão, desce para a praia, sobe o próximo.
De Bonete em diante a sequência é Enchovas, Indaiaúba, Vermelha e Mansa até Castelhanos. O que cansa aqui não é altura: o trecho a pé nunca se afasta muito do nível do mar, e ainda assim a subida acumulada é grande — porque são dezenas de subidas curtas, uma atrás da outra, sem trecho plano longo. Some a isso areia fofa, que cobra perna sem dar altitude, e o calor úmido de uma ilha tropical.
É em Castelhanos que a travessia a pé termina. Dali ao Perequê segue a Estrada-Parque, que cruza o divisor da ilha pelo alto da serra — e essa parte quase ninguém faz caminhando. É uma estrada, e se comporta como uma: é a única parte do dia em que se ganha altitude de verdade, e a única em que dá para ir rápido.
Essa separação explica por que os números desta travessia variam tanto de uma fonte para outra: a caminhada de verdade termina em Castelhanos, e é dela que falam os relatos de quem caminhou.
A chegada e a volta. A chegada à Ponta da Sepituba foi de transporte, sem carro. O trecho entre Castelhanos e o Perequê, que o traçado do Wikiloc registra em veículo, foi pedalado; a bicicleta chegou a Castelhanos de carro, levada por alguém. Esse apoio não aparece em nenhuma das fontes consultadas.
Bonete tinha onde dormir e onde comer. A primeira noite foi no Bonete e a segunda, em Castelhanos. Havia pousada ou camping e restaurante ou bar na vila; a água foi comprada nas vilas. Numa praia sem estrada, isso decide se a mochila leva barraca e comida de todos os dias.
Sinal de celular, quase nada. Ao longo da costa, não só em Bonete, o telefone praticamente não serve.
O mapa
Fonte: traçado de RAFAELCARDOOZO, Wikiloc, fevereiro de 2019.
O perfil em tabela
Reamostrado a cada 25 m e suavizado em ~150 m, o mesmo método do desnível da ficha. A altitude da tabela é a do arquivo em cada ponto, sem suavizar, como a da ficha.
| Ponto | km do traçado | Altitude do traçado |
|---|---|---|
| Sepituba | 0,0 | 77 m |
| Ponto mais alto | 25,9 | 290 m |
| Ponto mais baixo | 31,1 | -2 m |
| Perequê | 38,9 | 156 m |
- O traçado é de terceiro, de outra pessoa e de outro ano: não é o registro da passagem.
- O traçado do Wikiloc inclui o trecho final de Estrada-Parque, que não é caminhada; os pontos vivem no mapa.
- Estar no mapa não promete acesso: as praias da costa oceânica não têm estrada.
Os municípios, na ordem do caminho
Antes de ir
- O terrenoPraia, costão e mata insular se alternam do nível do mar aos 290 metros, sobre areia fofa, raiz, pedra lisa e barro, em dezenas de subidas curtas; o fim, de Castelhanos ao Perequê, é estrada de terra a mais de 700 metros.
- Litoral e areiaAreia e costão sob sol aberto; areia fofa cansa. Água e protetor redobrados.
- Trechos de mataRaiz e barro escorregadio depois da chuva, sombra e umidade. Leve repelente.
- Quando irNa passagem, em janeiro, calor úmido e borrachudos pesaram; com mar bravo, voltar de barco vira risco: confira vento e ondulação.
Antes de sair, confira as regras de visitação no site da Fundação Florestal.
Dados, fontes e evidências
Fontes e método Fonte gestora · o traçado, de terceiro · base cartográfica e dado ambiental · imprensa
Os 13,3 km finais não são caminhada
O arquivo foi medido em janelas de dois minutos. Os últimos 13,3 km foram percorridos a 17–19 km/h, com pico de 26 km/h.
A geografia confirma o que a velocidade sugere: o trecho rápido começa depois de Castelhanos, sobe a 707 metros no divisor da ilha e segue até o Perequê, onde o arquivo termina. É o trecho da Estrada-Parque, que a ficha conta à parte.
A ficha separa as duas coisas: 38,9 km e +1.493 m / −1.421 m a pé, entre o nível do mar e 290 metros, mais os 13,3 km de estrada à parte. O traçado inteiro é a base das medidas, e é a trilha que o link do Wikiloc abre.
O traçado é de terceiro — e o que isso muda
O traçado GPS em que esta página se apoia foi registrado por RAFAELCARDOOZO, no Wikiloc, entre 9 e 13 de fevereiro de 2019. Não é o registro da passagem, e por isso os números medidos nele aparecem como “o traçado”, nunca como “o registro da passagem”.
A passagem relatada em “O caminho” foi de 3 a 5 de janeiro de 2022 — quase três anos depois. As notas da passagem, em “O caminho”, são de primeira mão; os números medidos, não. As duas coisas vêm separadas nesta página de propósito.
O que o arquivo mede, em 6.515 registros: 52.239 metros somados ponto a ponto, altitude entre o nível do mar e 722 metros, e cinco dias de calendário — 9, 10, 11, 12 e 13 de fevereiro. O dia 10 tem um único ponto registrado, entre uma pausa de 23 horas e outra de 11: é um dia inteiro de descanso, no quilômetro 14,7.
Como foi medido, e por que o desnível é sensível ao método
O desnível não é a soma dos altos e baixos do arquivo cru: o perfil é reamostrado a cada 25 metros e suavizado numa janela de cerca de 150 metros antes de somar. Sem isso, o ruído de um GPS de consumo vira subida que ninguém andou — e numa costa ao nível do mar o ruído é grande: o arquivo chega a registrar altitude negativa.
Por isso a ficha publica a altitude do trecho a pé como 0 m a 290 m, e não o mínimo bruto do arquivo. Nenhum método é “o certo” em absoluto; o site não publica dois ao mesmo tempo sem dizer qual é qual.
Como o mapa foi feito
Traçado GPS com as praias, cachoeiras e mirantes que dão o ritmo da travessia, cada um no quilômetro em que o traçado passa por ele. Exportado em alta resolução, nítido pra ler ampliado.
Cada ponto do mapa foi medido contra o traçado: a distância até ele e, quando está sobre o caminho, o quilômetro do percurso. O que fica ao lado da trilha sai com a distância dita, não com km — ver do alto não é chegar lá.
Os pontos vivem no mapa desta página; o traçado é só a linha, e ela inclui o trecho final de Estrada-Parque, que não é caminhada.
Tudo dentro de Ilhabela (SP) — não há travessia entre municípios aqui, e por isso o marco de cada ponto é a praia, não a cidade. Estar no mapa não promete acesso: as praias da costa oceânica não têm estrada.
Fonte oficial consultada
Fonte: Guia de Áreas Protegidas — Estrada Parque Castelhanos (Fundação Florestal) · consultado em 8 de outubro de 2026.
Alcance: informação desta rota. Só do trecho final, a Estrada-Parque entre Castelhanos e o Perequê; a parte a pé pela costa não tem ficha própria nas fontes consultadas.
Foi consulta documental: a fonte foi lida na data acima, sem confirmação no local.
Fonte gestora
O Parque Estadual de Ilhabela, sob gestão da Fundação Florestal, protege 84,3% do município (Plano de Manejo, Resumo Executivo, 2015). É a referência oficial para a visitação e as trilhas.
O traçado, de terceiro
Registro de RAFAELCARDOOZO no Wikiloc, de 9 a 13 de fevereiro de 2019. Não é fonte oficial nem o registro da passagem: é o arquivo de quem percorreu e publicou, e é dele que saem extensão, altitude e desnível desta página — inclusive os 13,3 km de estrada que a ficha separa.
Base cartográfica e dado ambiental
Bases colaborativas e de sensoriamento remoto usadas no mapa e no contexto territorial. Não descrevem a visitação nem substituem a fonte gestora.
A travessia não precisa terminar no Perequê
No painel do Dicas Outdoor a rota tem cartão próprio, com as quatro marcas. Ilhabela entra no seu mapa e a travessia conta na Sala de Troféus.
Já fez esta rota? Marque no Dicas Outdoor.
A metade da ilha que não tem estrada
Bonete recebe gente por trilha e por mar, e é assim há gerações.
Leve o seu lixo de volta, passe com respeito pelas casas e lembre que a vila não é cenário: é onde a comunidade mora.
🧭 Ver todos os caminhos