Caminhante visto de costas numa trilha estreita entre mata atlântica fechada e o mar aberto à direita, com uma enseada de areia clara e barcos de pesca ao fundo — imagem gerada por IA, meramente ilustrativa.
Trekking litorâneo · Parque Estadual de Ilhabela (SP)

A metade da ilha que não tem estrada

Da Ponta da Sepituba a Castelhanos, pela costa oceânica de Ilhabela: praia, costão, cachoeira e mata fechada, numa sequência que só se atravessa a pé ou de barco. São 38,9 km caminhando; a Estrada-Parque até o Perequê, que fecha o traçado, não é caminhada.

🥾 38,9 km a pé 5 dias no registro ⛰️ Puxada 🏝️ 84,3% do município é parque

📡 52,2 km no registro de quem andou, no Wikiloc · 38,9 km são a pé; os 13,3 km finais, de Estrada-Parque, estão em veículo no registro do Wikiloc

As ilustrações desta página são geradas por IA e são meramente ilustrativas.

Agora

Mata Atlântica

Mais de nove em cada dez hectares de Ilhabela (SP) são mata nativa.

  • floresta 94%
  • outra cobertura nativa 1%
  • uso humano 5%

MapBiomas 2025 · município inteiro

Em um minuto

Decisão rápida

🥾 A pé — a estrada final, na passagem, foi de bike 🧭 Linear — 13 km entre as pontas 🛞 Areia fofa, raiz, pedra lisa e barro 📵 Quase sem sinal — Bonete não tem cobertura 🏠 Bonete tinha pousada e restaurante ↩️ Resolva a volta — na passagem, a bike chegou a Castelhanos de carro
Extensão
38,9 km a pé
Tempo
5 dias no registro
Dificuldade
Puxada

Traçado de terceiro · Wikiloc, 2019

Desnível
Sobe 1.493 m Desce 1.421 m
Altitude
de -2 m (nível do mar) a 290 m, a pé
Formato
Linear, de Sepituba a Castelhanos
Municípios/UF
1 município em SP (Ilhabela)

Horas de trilha no dia mais pesado

  • A pé: Puxada, cerca de 8 h 15 de trilha no dia mais pesado.
  • Faixas: Leve até 3 h, Média 3 a 6 h, Puxada 6 a 10 h, Extrema mais de 10 h.
Fontes e método

Medidos em traçado de terceiro (RAFAELCARDOOZO, Wikiloc, fevereiro de 2019), a pé até Castelhanos; o arquivo inteiro, com a Estrada-Parque, tem 52,2 km · dificuldade: régua do Dicas Outdoor

Pela norma ABNT NBR ISO 3021: distância, subida e descida, dia a dia.

Os alertas são da passagem relatada em O caminho.

Clima. Leitura do momento em cada ponto, da Open-Meteo, feita quando a página abre; não é previsão.

Vegetação. MapBiomas Coleção 11, ano-base 2025. O título resume os valores da figura, arredondados. É dado do município inteiro, não do corredor: serve de contexto.

Limites da observação. Uma passagem só, em janeiro: a baixa estação e a trilha depois de chuva forte não foram observadas. As condições podem ter mudado.

Todas as fontes da página e o método

Metade de uma ilha, a pé

Por que “Meia Volta” — e por que não é um círculo

Meia Volta é um nome elástico: o caminho usual parte de Borrifos ou da Ponta de Sepituba e segue pela costa oceânica, por Bonete, até Castelhanos. Não se caminha meia circunferência; o nome vem do acesso ao sul, da costa oceânica e do retorno pelo centro. Bonete não tem acesso por estrada e mantém a rotina caiçara de pesca, roças e turismo. A costa também guarda naufrágio: em 1916, o Príncipe de Astúrias afundou na Ponta da Pirabura.

Criado em 1977, o Parque Estadual de Ilhabela protege mais de quatro quintos do município, com Mata Atlântica insular, restinga e mangue. Fazer a travessia hoje é cruzar essa costa sem estrada, e a cobrança é concreta: calor, umidade, barro, raízes, pedras lisas, praias fofas e desnível quase sem descanso.

Ilustração: um rio de água clara desce em pequenas quedas entre pedras grandes cobertas de musgo até um poço verde, com galhos da mata pendendo sobre a água, em traço de nanquim e aquarela; composição feita a partir das fotos da passagem.
Água entre as pedras. Na mata da ilha, os rios descem da serra entre pedras grandes e mata fechada.

Experiências essenciais

  • Chegar a Bonete a pé e entender, pelas canoas na areia, que aquela vila não recebe carro nenhum — nem hoje nem nunca.
  • Encadear praia, costão e mata fechada por dias seguidos, numa costa onde nenhuma estrada acompanha o caminho.
  • Parar nas cachoeiras da Laje, do Areado e do Saquinho, que aparecem no primeiro terço da travessia, antes do cansaço chegar.

O caminho

A travessia, trecho a trecho

O primeiro terço é o mais generoso: saindo da Ponta da Sepituba, o caminho encosta nas cachoeiras da Laje, do Areado e do Saquinho antes de alcançar Bonete. A mata é fechada e úmida, o piso alterna raiz, pedra e areia, e o desnível vem em dentes seguidos — sobe o costão, desce para a praia, sobe o próximo.

De Bonete em diante a sequência é Enchovas, Indaiaúba, Vermelha e Mansa até Castelhanos. O que cansa aqui não é altura: o trecho a pé nunca se afasta muito do nível do mar, e ainda assim a subida acumulada é grande — porque são dezenas de subidas curtas, uma atrás da outra, sem trecho plano longo. Some a isso areia fofa, que cobra perna sem dar altitude, e o calor úmido de uma ilha tropical.

É em Castelhanos que a travessia a pé termina. Dali ao Perequê segue a Estrada-Parque, que cruza o divisor da ilha pelo alto da serra — e essa parte quase ninguém faz caminhando. É uma estrada, e se comporta como uma: é a única parte do dia em que se ganha altitude de verdade, e a única em que dá para ir rápido.

Essa separação explica por que os números desta travessia variam tanto de uma fonte para outra: a caminhada de verdade termina em Castelhanos, e é dela que falam os relatos de quem caminhou.

Na passagem de 3 a 5 de janeiro de 2022 · a pé e de bicicleta, da Ponta da Sepituba ao Perequê, por Castelhanos

A chegada e a volta. A chegada à Ponta da Sepituba foi de transporte, sem carro. O trecho entre Castelhanos e o Perequê, que o traçado do Wikiloc registra em veículo, foi pedalado; a bicicleta chegou a Castelhanos de carro, levada por alguém. Esse apoio não aparece em nenhuma das fontes consultadas.

Bonete tinha onde dormir e onde comer. A primeira noite foi no Bonete e a segunda, em Castelhanos. Havia pousada ou camping e restaurante ou bar na vila; a água foi comprada nas vilas. Numa praia sem estrada, isso decide se a mochila leva barraca e comida de todos os dias.

Sinal de celular, quase nada. Ao longo da costa, não só em Bonete, o telefone praticamente não serve.

Por onde passa, e até onde se sabe

O mapa

📡 Traçado de terceiro · Wikiloc, 2019
Perfil de altitude do traçado da Meia Volta de Ilhabela, da Sepituba ao Perequê Só o trecho a pé, da Sepituba a Castelhanos. De 77 m na partida, na Sepituba, a 290 m no ponto mais alto, no km 25,9; a mínima, -2 m, fica no km 31,1. Fonte: traçado de RAFAELCARDOOZO, Wikiloc, fevereiro de 2019. Reamostrado a cada 25 m e suavizado em ~150 m, o mesmo método do desnível da ficha. A altitude da tabela é a do arquivo em cada ponto, sem suavizar, como a da ficha. Traçado de terceiro · Wikiloc, 2019 500 m -250 m 290 m

Fonte: traçado de RAFAELCARDOOZO, Wikiloc, fevereiro de 2019.

O perfil em tabela

Reamostrado a cada 25 m e suavizado em ~150 m, o mesmo método do desnível da ficha. A altitude da tabela é a do arquivo em cada ponto, sem suavizar, como a da ficha.

Pontokm do traçadoAltitude do traçado
Sepituba0,077 m
Ponto mais alto25,9290 m
Ponto mais baixo31,1-2 m
Perequê38,9156 m
  • O traçado é de terceiro, de outra pessoa e de outro ano: não é o registro da passagem.
  • O traçado do Wikiloc inclui o trecho final de Estrada-Parque, que não é caminhada; os pontos vivem no mapa.
  • Estar no mapa não promete acesso: as praias da costa oceânica não têm estrada.
Os municípios, na ordem do caminho
Ambiente e cuidados

Antes de ir

  • O terrenoPraia, costão e mata insular se alternam do nível do mar aos 290 metros, sobre areia fofa, raiz, pedra lisa e barro, em dezenas de subidas curtas; o fim, de Castelhanos ao Perequê, é estrada de terra a mais de 700 metros.
  • Litoral e areiaAreia e costão sob sol aberto; areia fofa cansa. Água e protetor redobrados.
  • Trechos de mataRaiz e barro escorregadio depois da chuva, sombra e umidade. Leve repelente.
  • Quando irNa passagem, em janeiro, calor úmido e borrachudos pesaram; com mar bravo, voltar de barco vira risco: confira vento e ondulação.

Antes de sair, confira as regras de visitação no site da Fundação Florestal.

Para quem quiser conferir

Dados, fontes e evidências

Fontes e método Fonte gestora · o traçado, de terceiro · base cartográfica e dado ambiental · imprensa

Os 13,3 km finais não são caminhada

O arquivo foi medido em janelas de dois minutos. Os últimos 13,3 km foram percorridos a 17–19 km/h, com pico de 26 km/h.

A geografia confirma o que a velocidade sugere: o trecho rápido começa depois de Castelhanos, sobe a 707 metros no divisor da ilha e segue até o Perequê, onde o arquivo termina. É o trecho da Estrada-Parque, que a ficha conta à parte.

A ficha separa as duas coisas: 38,9 km e +1.493 m / −1.421 m a pé, entre o nível do mar e 290 metros, mais os 13,3 km de estrada à parte. O traçado inteiro é a base das medidas, e é a trilha que o link do Wikiloc abre.

O traçado é de terceiro — e o que isso muda

O traçado GPS em que esta página se apoia foi registrado por RAFAELCARDOOZO, no Wikiloc, entre 9 e 13 de fevereiro de 2019. Não é o registro da passagem, e por isso os números medidos nele aparecem como “o traçado”, nunca como “o registro da passagem”.

A passagem relatada em “O caminho” foi de 3 a 5 de janeiro de 2022 — quase três anos depois. As notas da passagem, em “O caminho”, são de primeira mão; os números medidos, não. As duas coisas vêm separadas nesta página de propósito.

O que o arquivo mede, em 6.515 registros: 52.239 metros somados ponto a ponto, altitude entre o nível do mar e 722 metros, e cinco dias de calendário — 9, 10, 11, 12 e 13 de fevereiro. O dia 10 tem um único ponto registrado, entre uma pausa de 23 horas e outra de 11: é um dia inteiro de descanso, no quilômetro 14,7.

Como foi medido, e por que o desnível é sensível ao método

O desnível não é a soma dos altos e baixos do arquivo cru: o perfil é reamostrado a cada 25 metros e suavizado numa janela de cerca de 150 metros antes de somar. Sem isso, o ruído de um GPS de consumo vira subida que ninguém andou — e numa costa ao nível do mar o ruído é grande: o arquivo chega a registrar altitude negativa.

Por isso a ficha publica a altitude do trecho a pé como 0 m a 290 m, e não o mínimo bruto do arquivo. Nenhum método é “o certo” em absoluto; o site não publica dois ao mesmo tempo sem dizer qual é qual.

Como o mapa foi feito

Traçado GPS com as praias, cachoeiras e mirantes que dão o ritmo da travessia, cada um no quilômetro em que o traçado passa por ele. Exportado em alta resolução, nítido pra ler ampliado.

Cada ponto do mapa foi medido contra o traçado: a distância até ele e, quando está sobre o caminho, o quilômetro do percurso. O que fica ao lado da trilha sai com a distância dita, não com km — ver do alto não é chegar lá.

Os pontos vivem no mapa desta página; o traçado é só a linha, e ela inclui o trecho final de Estrada-Parque, que não é caminhada.

Tudo dentro de Ilhabela (SP) — não há travessia entre municípios aqui, e por isso o marco de cada ponto é a praia, não a cidade. Estar no mapa não promete acesso: as praias da costa oceânica não têm estrada.

Fonte oficial consultada

Fonte: Guia de Áreas Protegidas — Estrada Parque Castelhanos (Fundação Florestal) · consultado em 8 de outubro de 2026.

Alcance: informação desta rota. Só do trecho final, a Estrada-Parque entre Castelhanos e o Perequê; a parte a pé pela costa não tem ficha própria nas fontes consultadas.

Foi consulta documental: a fonte foi lida na data acima, sem confirmação no local.

O traçado, de terceiro

Registro de RAFAELCARDOOZO no Wikiloc, de 9 a 13 de fevereiro de 2019. Não é fonte oficial nem o registro da passagem: é o arquivo de quem percorreu e publicou, e é dele que saem extensão, altitude e desnível desta página — inclusive os 13,3 km de estrada que a ficha separa.

Base cartográfica e dado ambiental

Bases colaborativas e de sensoriamento remoto usadas no mapa e no contexto territorial. Não descrevem a visitação nem substituem a fonte gestora.

O fio invisível

A travessia não precisa terminar no Perequê

No painel do Dicas Outdoor a rota tem cartão próprio, com as quatro marcas. Ilhabela entra no seu mapa e a travessia conta na Sala de Troféus.

Já fez esta rota? Marque no Dicas Outdoor.

A metade da ilha que não tem estrada

Bonete recebe gente por trilha e por mar, e é assim há gerações.

Leve o seu lixo de volta, passe com respeito pelas casas e lembre que a vila não é cenário: é onde a comunidade mora.

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